Como calcular o período fértil?

Antes de aprender a calcular o período fértil, é preciso entender um pouco sobre o ciclo menstrual.

O ciclo menstrual dura em média 28 dias (é considerado normal entre 21 e 35 dias, se não houver outras alterações) e é marcado por muitas alterações hormonais. É uma estratégia evolutiva que permitiu às mulheres – fêmeas da espécie humana – manterem o desejo sexual sem interrupções; entre outros fatores, isto favoreceu o instituto da família. Machos de outras espécies organizam haréns (como os leões) ou apenas se aproximam das fêmeas no cio (como os gatos).

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Ele – o ciclo – tem início no primeiro dia de sangramento. Duas semanas depois (considerando-se um ciclo regular de 28 dias, raríssimo na adolescência e pouco frequente na idade adulta), ocorre a ovulação (um óvulo se desprende do ovário). O intervalo de três dias antes e três dias depois do 14º dia é o chamado período fértil, o que significa, em condições normais, que o óvulo está maduro, esperando para ser fecundado. Vários sites disponibilizam tabelas eletrônicas para calcular o período fértil.

No entanto, a maioria das mulheres não tem um ciclo menstrual regular e, por isto, calcular o período fértil para evitar uma gravidez não é o mais recomendado pelos ginecologistas. Em alguns casos, por questões pessoais, quando a mulher decide não utilizar a pílula, DIU ou camisinha, é preciso anotar os ciclos menstruais durante um ano, para aumentar a margem de acerto sobre o cálculo do período fértil.

Seja como for, como anticoncepcional, o método pode ser bastante frustrante para a vida sexual de um casal: mulheres com ciclos menstruais ligeiramente irregulares, entre 26 e 29 dias, precisam se abster das relações sexuais entre o oitavo e o 18º dia do início do ciclo menstrual. Se isto se somar a uma TPM (tensão pré-menstrual) extremamente forte, serão 15 dias sem sexo; casais que consideram tabu transar durante a menstruação e adotarem este método estarão condenados a ainda mais limitações no “capítulo” sexo.

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Normalmente, é mais usado por mulheres solteiras, que podem deixar de procurar parceiros sexuais no período. Mas a chance de gravidez é muito alta: 9% ao ano. Só para comparar, um casal sem problemas de fertilidade, transando sem nenhum tipo de contraceptivo, tem 25% de chances de engravidar no mesmo período.

Além disto, diversos fatores alteram o ciclo menstrual: estresse, o uso de alguns medicamentos, aumento da libido e até a mudança da temperatura ambiente. Existe ainda o risco de um sangramento não relacionado à menstruação (provocado, por exemplo, por ovário policístico): quando isto ocorre, qualquer cálculo sobre o período fértil estará errado.

Mesmo com o ciclo menstrual totalmente regular (e isto pode mudar no mês seguinte), vale lembrar que usar a tabelinha não previne contra doenças sexualmente transmissíveis. Mulheres com vida sexual ativa e sem parceiros fixos devem usar a camisinha. Mesmo que encontrem um namorado “lindo, fiel, gentil e tarado”, como diz a Rita Lee, só devem abdicar da proteção depois de muitas provas de fidelidade – e, principalmente, depois da realização de exames de sangue.

Período fértil para chamar a cegonha

Calcular o período fértil geralmente é mais utilizado por casais que, ao contrário do uso inicial, querem ter um bebê: calcula-se o período de ovulação, entre o 11º e o 17º dia, a contar do dia em que desceu a menstruação. Alguns casais podem atrair a ajuda da “ave bicuda” “esforçando-se” um pouco mais alguns dias antes e mantendo relações sexuais do período fértil.

Vamos memorizar: o período fértil é:

• início da menstruação ± três dias

Casais ansiosos, no entanto, não devem se “esforçar” demais, mantendo relações várias vezes ao dia, porque isto pode prejudicar a quantidade e qualidade dos espermatozoides. Alguns especialistas sugerem que as transas ocorram em dias alternados, sempre mantendo o 14º dia (o Dia D da concepção) neste calendário sexual.

Um especialista pode ajudar, dando dicas sobre a umidade e temperatura ideais do canal vaginal, sinais que indicam a presença e maturidade do óvulo na trompa e favorecem a fecundação. Mas é preciso lembrar: a ansiedade – a quase obrigação de “fazer” um filho – pode significar um relacionamento insatisfatório e até falhas de desempenho, fatores que podem prejudicar o casal.

Muito importante: qualquer mulher que esteja tentando engravidar deve evitar alguns medicamentos (como o diclofenaco sódico), que podem provocar más formações uterinas e desde o início evitar álcool, fumo e manter uma dieta saudável: durante nove meses, toda a nutrição do futuro bebê vai depender da forma como a mãe se alimenta no dia a dia.

Recomendações religiosas

Uma vez calculado o período fértil, muitos casais utilizam estas “previsões” para o planejamento familiar. O Catolicismo é terminantemente contra métodos contraceptivos artificiais; igrejas evangélicas tendem a relativizar o assunto, só proibindo a anticoncepção por motivos estéticos ou de “lascívia” (não há consenso entre as muitas confissões reformadas e pentecostais). Judeus, muçulmanos e espíritas não apresentam restrições sobre quaisquer métodos mecânicos ou químicos para impedir a gravidez.

Na verdade, a Igreja Católica autoriza apenas o uso do método Billings, que consiste em verificar a viscosidade da vagina. Após o último dia da menstruação, tem início o chamado período seco, em que não se nota nenhuma mucosidade na entrada do canal vaginal (basta introduzir levemente o dedo indicador e o polegar, para verificar a umidade no local).

Vale lembrar que este muco não tem cor nem cheiro (do contrário, pode indicar problemas urinários ou genitais). Com o passar dos dias, ele surge na entrada da vagina, torna-se mais aquoso, com aparência de clara de ovo. Ao retirar os dedos, formam-se fios de muco resistentes, que demoram a se romper. Quanto maior a resistência, mais próximo a mulher está do centro do período fértil.

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