Como cuidar dos dentes de leite

A chegada de um bebê traz muita alegria e muito trabalho. Aprenda como cuidar dos dentes de leite.

Os dentes decíduos – também chamados de primeira dentição – formam o primeiro conjunto dentário dos seres humanos e de alguns outros mamíferos. Eles começam a despontar a partir dos seis meses, quando surgem os incisivos centrais inferiores e, até os dois anos de idade, a dentição infantil em geral está completa. Mas, muito antes disto, é preciso cuidar bem dos dentes de leite.

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Os bebês dão mostras bastante eloquentes de que os dentes estão despontando: levam os dedos à boca com frequência para pressionar a gengiva (e, com isto, a salivação aumenta e eles começam a babar muito mais do que o usual). Quase sempre, eles ficam mais irritados e chorosos, o apetite é reduzido (a dor limita a sucção do seio ou da mamadeira, assim como a capacidade de engolir as colheradas das papinhas). Pode ocorrer febre baixa.

É possível aliviar estes sintomas. Massagear a gengiva com a suavidade, com um dedo embebido em água fria, oferecer alimentos frios e dar colo confortam a criança.

Elas se sentem mais seguras quando estão na presença dos pais ou cuidadores. Mordedores cheios de líquido podem ser colocados na geladeira e oferecidos regularmente aos bebês, mas é preciso ter cuidado com a qualidade; antes de comprar, deve-se verificar que o produto recebeu os selos do INMETRO e da ABNT: um vazamento pode provocar outros problemas de saúde e agravar ainda mais a situação.

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Os dentes de leite não servem apenas para a mastigação, apesar de esta ser uma função importante, especialmente em um período de crescimento muito rápido (que demanda muitos nutrientes, portanto). Eles também servem como guias de erupção, ou seja, preparam o caminho para os dentes permanentes, estimulam o crescimento da parte inferior do rosto e facultam a criação de certos sons.

Ao todo, são 20 os dentes de leite: oito incisivos, quatro caninos e oito molares (em geral, os mais doloridos quando estão abrindo a gengiva). Esta variedade garante a ingestão dos mais diversos tipos de alimentos: eles foram desenvolvidos para cortar, rasgar e moer. Nós, seres humanos, somos onívoros justamente em função dos diferentes formatos de nossos dentes.

Entre os sete e doze anos, começam a cair e são gradativamente substituídos pelos dentes permanentes. Mas, se houver falhas, como perda precoce, separação excessiva ou encavalamento, a dentição definitiva ficará comprometida. Em função disto, é preciso muita atenção para cuidar dos dentes de leite.

Os cuidados

Os dentes de leite começam a se formar ainda durante a gestação. Se a criança estiver mamando no peito, não são necessários maiores cuidados nesta fase, já o leite materno é rico em nutrientes que garantem a saúde integral – e isto inclui os dentinhos. A única providência é massagear as gengivas depois de cada mamada – com um dedo, uma gaze ou um pequeno chumaço de algodão – para retirar o líquido retido.

Na maioria dos bebês, os dentes de leite só começam a dar “sinais de vida” entre cinco e dez meses de idade e costumam ser bastante angustiantes para os pais, apesar de não indicarem qualquer problema: as crianças ficam irritadas, chorosas e babam em excesso, como foi descrito anteriormente. A recusa de alimentos geralmente é superada com o maior espaçamento entre as refeições.

Os mordedores parecem ser apenas brinquedos, mas eles são muito úteis nesta fase: a cada mordida, o bebê está massageando as gengivas. De início, eles costumam morder apenas com a parte anterior da boca, onde surgirão os primeiros dentinhos – os incisivos. Além disto, a brincadeira reduz a salivação e também distrai a criança – ao menos por alguns minutos.

O processo é natural, apesar de doloroso. No entanto, se o choro e a baba vierem acompanhados de refluxo esofágico, vômitos, erupções na pele ou febre alta, algo pode estar errado; é preciso consultar o pediatra antes de aplicar qualquer produto para aliviar o desconforto e os sintomas.

Quando os dentes finalmente despontam, o algodão deve ser abandonado, para que não fiquem fiapos na boca. A gaze (umedecida) continua sendo uma boa opção, até que o bebê tenha idade suficiente para usar a escova de dente (por volta de um ano de vida). Mesmo que haja apenas um ou dois dentes, é preciso escová-los ao menos uma vez por dia, de preferência antes de ir dormir.

Depois do primeiro aniversário, quando os primeiros molares já estão presentes, a escovação é fundamental, mas é antes de tudo uma brincadeira – e isto é excelente, já que crianças aprendem principalmente quando há um aspecto lúdico envolvido. Elas vão mastigar as cerdas e, como a coordenação motora ainda está muito longe do ideal, farão muita sujeira, escovando lábios e até o nariz – portanto, a supervisão é fundamental. Existem cremes dentais especiais para crianças (inclusive com formatos e cores diferentes).

Por certo período, veiculou-se a ideia de que o flúor era prejudicial à dentição infantil. Diversos estudos, no entanto, provaram o contrário. O que pode ser nocivo é o excesso de flúor (que provoca fluorose, pequenas manchas nos dentes que podem gerar problemas mais sérios). A quantidade ideal até os quatro anos é o equivalente a um grão de arroz cru em cada escovação. O tubo de creme deve ser mantido a distância da curiosidade infantil, já que cremes dentais são doces, mas certamente não são sobremesa.

Muitos pais costumam oferecer mamadeira com leite ou suco justamente quando chega a hora de ir para o berço. Este é um erro grave, pois pode provocar a chamada cárie da mamadeira. Da mesma forma, não se deve besuntar a chupeta com mel ou açúcar na hora do soninho.

Quando a criança acorda, os líquidos são rapidamente diluídos e engolidos. Em contrapartida, quando dormem com o bico da mamadeira (ou a chupeta “turbinada”) na boca, o organismo infantil tem o instinto de sucção reduzido e parte do líquido – com suas bactérias – permanece na boca. Estes microrganismos transformam o açúcar em ácido, que ataca o esmalte dos dentes. Vale lembrar que o leite – inclusive o materno – é rico em açúcar, a lactose.

Pedacinhos de pão, na tentativa de fazer o bebê abandonar a chupeta, também são contraindicados. As crianças ficam mascando a fatia – como se estivessem ruminando – e o resultado é que o amido do pão se deposita na boca. Dentistas pediátricos relatam que a necessidade de extrair dentes de leite – especialmente os incisivos superiores – é bastante comum entre crianças com menos de 18 meses.

A partir dos dois anos, se os cuidados devidos tiverem sido tomados e tudo estiver bem, é necessário dar início às consultas com o dentista. Seguindo as orientações de higiene bucal, é mais que provável que os tratamentos se limitem a uma limpeza rápida. Mas é muito importante que a criança se acostume com o ambiente e os instrumentos odontológicos, para não desenvolver medos que a prejudiquem no futuro.

Quando os dentes de leite começam a ser perdidos, muitas crianças se envergonham das “janelas” abertas no sorriso. Uma forma de superar – ou, ao menos amenizar – este problema pode ser contornado com um costume antigo: o conto da fada dos dentes, que vem buscar os dentes perdidos e troca por moedas ou doces. Em nome da saúde bucal, é melhor que sejam moedas.

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