Como escolher a escova de dente

A saúde bucal é muito importante. Por isto, é fundamental escolher muito bem a escova de dente.

Não é de hoje que a humanidade sabe a importância da higiene oral. A escova de dente mais antiga de que se tem notícia foi encontrada na China e data do final do século XV. Como a conhecemos, ela surgiu em 1930 (as cerdas de náilon foram adotadas pela indústria apenas em 1938), mas só foi popularizada após o fim da Segunda Guerra Mundial. As vendas de escovas de dente têm aumentado continuamente ano a ano, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal.

No entanto, muitas pessoas não sabem como escolher a escova de dente ideal, talvez porque a propaganda alardeia dezenas de utilidades exclusivas dos produtos que anuncia. Mas a escolha é simples: basta seguir algumas dicas e, se as dúvidas continuarem, consultar um dentista.

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Dicas de especialistas

Em primeiro lugar, é preciso optar por uma escova que remova a placa bacteriana (que fica aderida à superfície dos dentes). Desta forma, ela não pode ser macia demais, já que precisa desestruturar esta placa. Com relação ao tamanho, é preciso dizer que ele não é determinado pelas dimensões da arcada ou da boca. O ideal, em qualquer caso, é o uso de uma escova de dente com cabeça pequena (de dimensões semelhantes às das escovas infantis), que limpe um ou dois dentes a cada vez.

As escovas com cabeças menores conseguem atingir os dentes do fundo (inclusive os problemáticos dentes do siso ou terceiros molares, os últimos a nascerem, que muitas vezes não encontram espaço adequado para se desenvolver e precisam ser extraídos), sem nenhum risco de agredir as mucosas ou a gengiva.

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Foi dito um pouco acima que a escova de dente não pode ser macia demais. Isto não quer dizer que a escolha ideal seja as de cerdas duras, que machucam os tecidos adjacentes aos dentes e podem causar riscos nas estruturas dentárias – especialmente no esmalte. As cerdas devem ser homogêneas (todas do mesmo tamanho) e com acabamento arredondado.

No mercado, estão disponíveis escovas com cerdas duras, médias, macias, supermacias, ultramacias e extramacias. Não existe qualquer legislação a respeito destas definições e, por isto, é o fabricante quem decide este tipo de informação para o consumidor. A quantidade de cerdas e o tipo de acabamento (arredondado ou reto) raramente são indicados no rótulo.

Uma resolução dispensa o registro de escovas de dente no Ministério da Saúde ou na ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária); é necessário apenas uma comunicação antes de o produto chegar aos mercados e farmácias. A ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) também não estabelece regras de qualidade para a produção. Desta forma, resta ao consumidor o método de tentativa e erro ou a orientação do dentista.

Quando a mucosa e a gengiva são feridas ou irritadas, pode ocorrer retração gengival (e a consequente exposição de raízes), fato que aumenta a sensibilidade, prejudicando o consumo de alimentos frios, quentes, doces ou salgados, líquidos, etc.

O cabo da escova de dente deve proporcionar uma boa empunhadura para permitir os movimentos necessários à escovação. Alguns produtos são ergonômicos; eles apresentam algumas curvas que se adaptam à mão, ao contrário das de cabo plano. Parece insignificante, mas escovas planas não conseguem atingir todas as áreas da boca – é preciso escovar não apenas os dentes, mas a gengiva e a língua.

O formato mais adequado da escova é o mais confortável para o usuário. Algumas pessoas dão preferência aos cabos flexíveis ou cabeças cônicas, triangulares, etc.

Não há nenhuma recomendação específica que aponte a adequação, a menos que seja uma indicação individual do dentista. O importante é que a escova de dente atinja sem desconforto todas as áreas da boca.

Existem muitas escovas de dente elétricas disponíveis no mercado, mas elas são indicadas apenas para pessoas que tenham dificuldades de mobilidade nos braços e mãos. Alguns estudos indicam que, em condições normais, o uso prolongado de escovas elétricas compromete a habilidade na escovação. Os aparelhos elétricos também são indicados para idosos, pessoas com alto risco de desenvolver cáries radiculares (que ocorrem quando há retração gengival) ou com doença periodontal.

As dicas acima são indicadas para adultos com saúde normal. Crianças e idosos apresentam exigências diferentes, assim como pessoas com próteses e implantes e convalescentes de cirurgias bucais. Quem usa próteses removíveis também precisa escolher escovas específicas para a higienização.

Escolher um produto adequado, no entanto, não é suficiente. É preciso conservá-lo. Depois de usar a escova de dente, deve-se lavá-la em água corrente até retirar todos os eventuais resíduos e remover o excesso de água (com uma batida leve no canto da pia; o uso de toalhas é totalmente contraindicado). A maioria dos dentistas aconselha borrifar as cerdas com gluconato de clorexidina (solução a 0,12%), substância antisséptica que elimina bactérias, antes de guardá-la em local limpo, fechado e seco, em um recipiente vazado, que possibilite a eliminação das últimas gotas da água usada na limpeza.

A clorexidina é pouco usada pelos brasileiros, mas desde 1979 é considerada substância essencial pela Organização Mundial de Saúde (portanto, o produto deveria ser distribuído gratuitamente para a população através das unidades básicas de saúde, fato que efetivamente não ocorre).

Alguns laboratórios comercializam este antisséptico, que não é poluente, não exala gases e é praticamente atóxico – um adulto de 70 kg precisaria ingerir 126 gramas diários para correr riscos de envenenamento. A clorexidina também é encontrada em líquidos para bochechos e alguns cremes dentais usam este composto em sua formulação. São indicados especialmente para pessoas que têm os dentes muito próximos uns dos outros e também para as que usam aparelhos ortodônticos.

Outro ponto importante é o momento de descartar a escova de dente. Dentistas aconselham a substituição a cada três meses, ou antes, caso se constate que houve desgaste das cerdas, que se amassam e ficam irregulares, deixando de cumprir a sua função. Outra providência fundamental é trocar a escova depois de uma enfermidade infecciosa (como gripe ou pneumonia), para reduzir o risco de recidivas.

Nenhuma escova de dente, no entanto, vai “dar conta do recado” se não for usada corretamente. A escovação certa começa com um bochecho com água. Ou melhor, começa com a lavagem das mãos. Em seguida, é feita sucessivamente a higienização dos dentes superiores, na face voltada para a bochecha, na face interna (superiores primeiro), superfície de mastigação e, por fim, a língua.

Em média, 800 espécies de bactérias colonizam nossa boca. Em apenas um beijo, são transmitidos 250 mil microrganismos. Felizmente, a maioria deles é benéfica ou neutra. O problema é que esta população imensa tem necessidades nutricionais diferentes e, como nós, as bactérias também eliminam resíduos não aproveitados – as fezes. Em excesso, o mínimo que pode acontecer é a halitose, popularmente conhecida como “bafo de onça”. Mas elas também podem causar gengivite, tártaro, cáries, manchas e aumento da sensibilidade.

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