Como funcionam os remédios contra disfunções de ereção

Existem no mercado cinco remédios contra disfunções de ereção e todos funcionam de forma semelhante.

A disfunção erétil ou impotência sexual afeta 47% dos homens com mais de 45 anos (o percentual sobe para 73,5% entre os hipertensos graves). Até o final da década de 1990, os tratamentos eram invasivos e não eram disponibilizados na rede pública de saúde. Em 1998, a FDA (Food and Drug Administration, órgão americano responsável pela fiscalização de alimentos e medicamentos) aprovou a comercialização do primeiro remédio para combater o problema: o Viagra, desenvolvido originalmente para tratar hipertensão arterial pulmonar.

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A pioneira

A primeira droga para combater a disfunção erétil foi o citrato de sildenafila, princípio ativo do Viagra. Durante os ensaios clínicos, descobriu-se que ele relaxa as paredes das artérias, levando a menor resistência dos vasos dos pulmões. Com isto, reduz-se a pressão sobre o coração e a hipertensão cede. Um efeito colateral, no entanto, foi rapidamente percebido entre os voluntários do sexo masculino: o surgimento de fortes ereções entre 30 e 120 minutos após a ministração do remédio.

Causas e tratamentos

A disfunção erétil tem várias causas, além da hipertensão e outros problemas vasculares. Entre elas, estão os distúrbios psicológicos, doenças neurológicas (lesões na medula espinal, males de Alzheimer e Parkinson) e hormonais (queda da produção da testosterona, diabetes, problemas da tireoide). O consumo prolongado de alguns medicamentos, abuso de álcool e tabaco e o próprio desgaste natural provocado pelo envelhecimento também respondem pelo decréscimo da capacidade sexual masculina. O avanço da idade não causa disfunção erétil, mas geralmente está relacionado ao surgimento de doenças que podem provocá-la. Com o aumento da expectativa de vida, muitos homens estavam condenados a passar décadas sem manter relações sexuais.

Os tratamentos possíveis até 15 anos atrás eram a reposição hormonal (após os 45 anos), autoinjeção (no corpo do pênis, para aumentar a circulação sanguínea na região), terapia intrauretral (também para aumentar o fluxo sanguíneo), alguns cremes, enrijecimento por sucção, implantação de prótese e psicoterapia. Com o citrato de sildenafila, tudo ficou mais fácil, mas vale lembrar que se trata de um remédio, e deve ser ingerido com orientação médica. Alguns homens jovens têm experimentado a droga recreativamente, mas não há qualquer evidência clínica de que ela altere o desempenho sexual: a ereção, que surgiria naturalmente com o desejo, surge a partir de um mecanismo químico.

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O diagnóstico de disfunção erétil é feito com o relato da vida sexual. Para ser considerado impotente, um homem tem de ser incapaz de iniciar e manter a ereção por tempo suficiente para penetrar a vagina em pelo menos 50% das tentativas. É preciso verificar se não ocorreram alterações significativas no dia a dia, como o aumento da carga de trabalho, preocupação com a saúde de familiares, etc., fatores de estresse que podem afetar temporariamente a performance e são facilmente superados sem medicação.

Os medicamentos disponíveis

Outros fármacos também podem ser prescritos para a impotência sexual masculina. O tadalafil, princípio ativo do Cialis, é chamado “pílula do fim de semana”, em função do seu efeito prolongado: a ereção dura cerca de 36 horas. O cloridrato de vardenafil, princípio ativo do Levitra e do Vivanza, tem a vantagem de ter dosagem mais baixa (10 mg, conta 50 mg do citrato de sildenafila). O pênis permanece rígido entre quatro e oito horas. A indústria brasileira desenvolveu o Helleva, a base de carbonato de iodenafil, com efeitos em até 20 minutos após a ingestão. Algumas patentes destes medicamentos (o direito de exclusividade na fabricação pelo laboratório que desenvolveu a droga) já se esgotaram e, assim, é possível encontrar produtos genéricos com os mesmos efeitos.

Todos estes remédios funcionam como inibidores da enzima PDE-5 (fosfodiesterase tipo 5). Eles melhoram a circulação sanguínea e reduzem a hipertensão arterial, que dificulta a circulação periférica. O mecanismo de ereção é simples: o cérebro envia ordem para a produção de óxido nítrico, que dispara uma série de reações químicas responsáveis pelo relaxamento do corpo cavernoso e dos vasos do pênis, permitindo um fluxo maior de sangue. Quando a PDE-5 é ativada, o sangue sai do pênis com facilidade, permanecendo flácido.

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