Como lidar com a ansiedade

Ansiedade é uma sensação normal frente a situações difíceis, mas às vezes ela impede as decisões. Aprenda a lidar com ela.

A ansiedade é um estado que se caracteriza pelo medo, apreensão, desconforto, muita insegurança, sensação de que algo vai dar errado, estranhamento do ambiente (e às vezes de si mesmo) e é comum a todos – na verdade, é uma reação bioquímica: em algum momento, todos nós experimentamos ansiedade em algum nível. No entanto, ela pode se tornar patológica, impedir atividades cotidianas e até demandar tratamento médico e psicológico.

Publicidade

Sempre que é preciso definir um novo caminho – começar ou terminar um namoro, mudar de emprego, mudar de cidade, iniciar uma atividade desafiadora –, é natural que a ansiedade apareça. Um pouco de insônia, suor um pouco acima do normal e conversas na própria mente para encontrar as melhores respostas são reações naturais.

No entanto, muitas pessoas, em muitas situações, não conseguem lidar com a ansiedade. Perdem noites de sono, tornam-se incapazes de se inter-relacionar e não conseguem organizar as ideias para se apresentar.

Em geral, parentes e amigos aconselham a não pensar muito no assunto ou partir para o famoso “pense positivo, tudo vai dar certo”. No entanto, estes conselhos quase sempre são “um tiro pela culatra”. Pedir para não pensar muito no assunto é quase uma ordem para só pensar nele e, para quem não sabe lidar com a ansiedade, tentar pensar positivo quase sempre funciona ao contrário: o ansioso só pensa nas expectativas negativas.

Publicidade

Além disto, muitas vezes são criadas situações de pânico inexistentes: “não vou conseguir a atividade, o chefe (ou professor) vai perceber e denunciar minha incompetência para todo o grupo”. Certamente, existem superiores bastante impiedosos, mas normalmente estas situações, quando acontecem, são resolvidas em particular. Além disto, quem está preparado para determinada tarefa consegue realizá-la calmamente – desde que a ansiedade não o paralise. No máximo, será necessária uma dilação do prazo.

A vida é cheia de problemas. Mal se resolve um deles e outro se apresenta imperioso. Mas a vida também é cheia de prazeres, compensações, alegrias instantâneas. Por isto, é importante encarar os problemas com certa distância: tratá-los como externos ao cotidiano ajudar a reduzir a ansiedade. Reserve um tempo para as “preocupações”; no restante do dia, viva para você, os amigos, colegas e parentes, ocupando a mente em ajudá-los, diverti-los e estreitar os laços de relacionamento.

Relaxamento e exercícios de respiração (inalando lentamente pelas narinas até sentir o abdômen estufado – e não o peito – e expirando pela boca) ajudam a reduzir as reações do sistema nervoso autônomo. São técnicas fáceis que diminuem bastante a ansiedade. Em uma situação formal, peça para ir ao banheiro e pratique estas técnicas: a situação ainda ajuda a dar uma alinhada nos cabelos, maquiagem e vestuário.

Respostas erradas

Quem não consegue lidar com a ansiedade quase sempre tem problemas na superação de obstáculos. Em uma prova, como um concurso público ou um vestibular, o candidato, por mais preparado que esteja, é reprovado (sem distinção nem louvor), com notas muito abaixo da sua capacidade – e muitos bons alunos desde o ensino fundamental apresentam resultados negativos em situações de teste.

Em vez de partir para a alopração e cometer gafes incorrigíveis em entrevistas de emprego ou no momento da paquera, na balada (além dos erros crassos nas provas), é preciso encontrar formas de reduzir a ansiedade. Cada um tem que encontrar seu jeito próprio: praticar esportes, sair com amigos, meditar, frequentar um culto religioso, caminhar, desenvolver um hobby.

Por falar em exercícios físicos, eles podem ser muito “dolorosos” para os extremamente sedentários, especialmente no começo das práticas. Assim, é importante começar com atividades mais simples – como uma caminhada, aproveitando para admirar a paisagem – e aumentar a carga e a frequência aos poucos.

Pode parecer incrível, mas um simples passeio ajuda a distrair, ao menos por alguns instantes. Além disto, ajuda a aumentar os níveis de serotonina no organismo, neurotransmissor relacionado às sensações de prazer e bem-estar. Mas é preciso método: ao menos três vezes por semana, por 30 minutos, aumentando o ritmo gradualmente: cansar-se é preciso.

O importante é não usar a “ferramenta” dos outros. Não é porque um amigo se sente tranquilizado com determinada técnica que ela será universalmente útil. Em alguns casos, pode até piorar a situação: quem não consegue relaxar e esvaziar a mente não deve tentar a meditação – ao menos, não enquanto perdurar a situação que está gerando a ansiedade.

Alimentos que ajudam

Banana e chocolate são ricos em triptofano, um aminoácido precursor da serotonina. É bom não abusar, porque são muito calóricos. Também existem suplementos de triptofano, enriquecidos com vitamina B6 e magnésio (que melhora a resposta muscular). Alguns chás também são úteis, como a camomila, o maracujá (passiflora) e a melissa. São sedativos suaves, para controlar a ansiedade diária.

Taurina e glutamina (também aminoácidos) aumentam a disponibilidade do neurotransmissor GABA (ácido gama-aminobutirico), usado pelo organismo para melhorar a qualidade do sono e controlar fisiologicamente a ansiedade. Ele está presente em folhas verde-escuro, leguminosas, massas e grãos e também podem ser ingeridos em cápsulas, mas é preciso indicação médica.

A repetição

Uma das formas de lidar com a ansiedade é repetir a possibilidade exaustivamente, por um período de 20 a 30 minutos, ajuda a controlar a ansiedade. Nossos medos íntimos sempre apresentam alguma justificativa, mas a ansiedade funciona como um amplificador: o problema se torna muito maior e mais vultoso do que realmente é.
Esta é uma maneira de racionalização: se o problema é perder o emprego, o máximo que pode acontecer é ter que voltar para os classificados e envio de currículos.

Caso o medo seja de perder um amor. É importante lembrar que “a fila anda” e, se o romance se esgotou, a melhor saída é começar de novo. Em outras palavras, é importante dimensionar o problema. Como diz o ditado, “não há mal que sempre dure, nem bem que nunca se acabe”.

Tudo pode piorar

Nem sempre os ansiosos conseguem partir para a racionalização. Ao pensar no problema, ele só se torna cada vez maior. Nestes casos, uma técnica valiosa é o “quanto pior, melhor”. Em vez de administrar a preocupação, passe para o exagero: coloque a situação em um amplificador.

Reúna os piores prognósticos: se perdeu o emprego, pense em ir morar debaixo da ponte; se tem um problema de saúde, imagine procedimentos invasivos e dolorosos. Na hora de enfrentar a questão, os resultados – em quase 100% dos casos – serão muito mais positivos do que os imaginados.

Publicidade

Comente