Como lidar com a raiva

Irmã do medo, ela surge quando o organismo produz mais adrenalina. Aprenda como lidar com a raiva.

A raiva é um mecanismo para controlarmos a frustração. Ela se desenvolveu durante milênios, para que possamos oferecer respostas a situações incômodas de medo, insegurança ou timidez. O organismo libera hormônios para que o ser ataque ou fuja. Um cachorro acossado demonstra sua raiva rosnando, latindo e apresentando os dentes. É o mesmo mecanismo que nos faz “explodir”: xingar, agredir verbal e fisicamente. Mas somos seres gregários (vivemos em grupo) e nem sempre isto é adequado ou possível. Por isto, é preciso aprender a lidar com a raiva.

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A raiva pode ser um sinal de depressão. Se a irritação e mau humor forem frequentes, pode ser preciso procurar ajuda profissional. Porém, aquele sentimento que surge quando não conseguimos atingir determinado objetivo, ou quando alguém contraria nossos planos, é comum a todas as pessoas. Mesmo assim, não podemos morder ou rosnar para o chefe, o colega, o amigo ou o cônjuge. É preciso encontrar boas formas para lidar com a raiva.

Contar até dez ajuda nestes momentos. “Hoje eu conto até dez para não errar onde errei: um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, no dez já me acalmei”, diz um samba antigo. Mas contar até dez pode não ser o suficiente. Se for preciso, conte até cem ou mil. Pessoas irritadas dizem o que não se deve e expõem uma franqueza desnecessária e prejudicial. Sempre mentimos no dia a dia (por exemplo, quando uma gordinha com o umbigo de fora pergunta se o seu “look” está bom), mas, quando a raiva domina, esquecemos as regras de convivência. Cale-se, acalme-se e encontre a melhor forma de resolver – ou contornar – o problema.

O perdão é uma ferramenta extremamente útil – já o disseram o filósofo grego Sócrates e Jesus, fundador das religiões cristãs. Se a pessoa “pisou na bola” muito feio, tente perdoar. É uma forma de se liberar da situação. Perdoar é esquecer. Caso isto não seja possível, afaste-se da convivência: trata-se de um meio perdão, em que o problema é colocado de lado. Mas nunca perca a capacidade de indignação. Perdoar não significa esquivar-se ou acovardar-se, situações que, em última análise, vão provocar mais medo e raiva.

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Nas relações pessoais, vale a regra: quando um morde, o outro assopra. Se o próximo está irado, descontrolado, fora de si, não vale a pena discutir. Afaste-se, distraia-se com outra coisa (uma leitura, uma música, exercícios físicos) e, se isto não for possível, respire profundamente. A respiração lenta, provocando a movimentação do diafragma (o músculo logo abaixo das costelas), reduz o ritmo cardíaco e traz calma.

Não negue a irritação: fique indignado, trace mentalmente planos de vingança (que nunca serão efetivados), proteste. Anular-se só reprime o sentimento que se mantém, às vezes de forma inconsciente, e isto pode provocar distúrbios sérios. Mas não chegue “às vias de fato”, nem fale mais do que seria conveniente. Procure, em cada relacionamento, até que ponto é possível criticar, questionar, verbalizar a insatisfação. Não vale a pena perder um contato ou amizade por um momento de raiva descontrolada.

Muitas pessoas ficam iradas porque permitem, por longos períodos, um longo abuso. A mulher que não gosta que o marido deixe o tampo do vaso sanitário levantado deve deixar isto claro desde o início do relacionamento. O mesmo ocorre com um colega de trabalho que não gosta de partilhar seu material de escritório. Deixe bem claras as insatisfações, para que o parceiro tenha ciência delas. “Abra a janela”, “não fume perto de mim” ou “feche as gavetas” a partir do primeiro dia vão evitar futuras explosões de ira.

Exercícios físicos facilitam a convivência. Eles liberam vários hormônios (entre eles, a adrenalina), conferem a sensação de bem estar e permitem um tète-à-tète mais saudável. Os aeróbicos (caminhar, correr, pedalar) são os mais indicados. Para os sedentários, bastam 30 minutos em dias alternados. Quem já exerce uma atividade física e continua irritado precisa aumentar a carga.

Voltando a Sócrates, é importante “conhecer-se a si mesmo”. O autoconhecimento permite que identifiquemos os nossos limites, o que aceitamos ou não, e isto define nossos relacionamentos pessoais e profissionais. Sabendo o que admitimos, estabelecemos relacionamentos mais saudáveis, inclusive porque aprendemos a entender o que irrita os outros.

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