Como lidar com a tristeza

A tristeza é um sentimento natural, decorrente de frustrações e perdas. É preciso aprender a lidar com ela.

São muitos os motivos que provocam a tristeza. O psicanalista austríaco Sigmund Freud afirmava que buscamos o prazer o tempo todo, ao mesmo tempo em que tentamos evitar a dor. Estamos sempre procurando a satisfação e, na atualidade, o bombardeio da propaganda nos faz pensar que esta satisfação precisa ser imediata. Mas a vida não é assim. É preciso reconhecer este sentimento e saber como lidar com a tristeza.

Publicidade

Pessoas que aparentam ser sempre felizes provavelmente têm algo errado. As pequenas insatisfações da vida, os pequenos nadas do dia a dia, nos tornam tristes. A felicidade plena não é deste mundo, diriam os religiosos. Muitas pessoas ficam tristes e melancólicas em dias frios, de chuva, ao entardecer, e há motivos culturais e até genéticos para isto. A tristeza nasce da insatisfação e, se soubermos aproveitar o momento, podemos tirar lições preciosas e avançar no autoconhecimento.

Por exemplo, ninguém fica contente ao perder o emprego. É natural se dar um tempo para reclamar, sentir-se injustiçado e, claro, preocupar-se com as contas a pagar.

Num segundo momento, no entanto, é preciso avaliar os reais motivos que determinaram a demissão: incapacidade para exercer as funções, relacionamento inadequado com colegas e superiores, faltas e atrasos excessivos. Mesmo quando uma empresa em crise faz um corte de funcionários, ela estabelece critérios para as demissões.

Publicidade

Da mesma forma, no fim de um relacionamento amoroso, é preciso um tempo para chorar, lamentar-se, sentir-se desamparado e culpar o outro. É uma espécie de luto; realmente, ocorreu uma morte: a do namoro, ou do casamento. Mas, passado certo período – que varia de pessoa para pessoa –, é preciso descobrir as razões do rompimento, que, na maioria das vezes, é de responsabilidade dos dois parceiros.

Ciúme excessivo, possessividade, tentativas de transformar o companheiro no “parceiro ideal” (mudando hábitos como a forma de vestir, de beber, de se relacionar com os amigos), são motivos que esfriam a paixão. E, numa análise racional e fria (tanto quanto possível), talvez se descubra que a culpa é dele, o que não traz satisfação, mas pode trazer algum alívio.

Seja qual for a causa da tristeza, é preciso ocupar o tempo. Nada de ficar na cama à toa, nem de passar o dia despenteado e de pijama ou de deixar de se alimentar. É preciso um esforço de superação para encontrar uma ocupação: cozinhar, fazer uma bela faxina na casa, plantar um vaso, montar um quebra-cabeça. Estas e outras atividades desviam a mente do problema e garantem um tempo mais prazeroso.

Outra boa dica para lidar com a tristeza é iniciar uma atividade que foge aos hábitos cotidianos: tomar banho com a mão esquerda (para os destros, e vice-versa), fazer exercícios (para os sedentários – não é preciso nenhum esforço absurdo: basta uma caminhada), aprender a pedalar. O esforço físico e intelectual obriga a concentração e afasta os sentimentos negativos.

Seja qual for o motivo, é preciso aceitar a tristeza, não resistir a ela. É preciso estabelecer um diálogo com ela, encontrar as razões que estão na sua origem, compreenda a tristeza. Apesar de Hollywood abundar de exemplos de pessoas felizes, bem sucedidas, ricas, amadas, todos eles têm seus momentos melancólicos, porque é natural e humano ser triste.

No entanto, nunca permaneça numa luta com a tristeza. Ao descobrir o que gerou o sentimento, começamos a procurar instrumentos para superá-lo. É um renascimento, com algumas perdas, mas com muito mais brilho. A vida sempre oferece coisas negativas, mas, com algum esforço, podemos inverter esta polarização.

Faça o “jogo do contente”, procure os amigos, mantenha-se ocupado e dê tempo para que a tristeza se afaste e permita novos momentos para tentar ser feliz. Mas lembre-se de que a vida é multifacetada: nem sempre é possível estar bem na família, no relacionamento, no trabalho, nas relações de amizade. Os altos e baixos permitem que nos conheçamos e nos tornemos melhores. Quem está plenamente satisfeito não tem mais nada a conquistar, e isto é muito triste.

Publicidade

Comente