Como lidar com os males da poluição

Durante milhões de anos, os seres vivos desenvolveram sistemas respiratórios mais ou menos complexos, quase sempre para obter, através do oxigênio, a energia necessária para as atividades vitais. Nos homens e em diversas outras espécies, respiramos para que o ar chegue até o sangue, que distribui o oxigênio para todas as células. O problema é que, nos dias atuais, além da composição de nitrogênio, oxigênio e outros gases (em menor proporção), nós inspiramos também agentes nocivos à saúde: é a poluição do ar, com seus diversos males.

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Ao inalarmos o ar, levamos para os pulmões monóxido de carbono (expelido principalmente de carros mal regulados), fumaça (cigarros, chaminés, escapamentos), ácaros e fungos (especialmente em dias frios e secos). No médio prazo, tudo isto pode determinar doenças cardiorrespiratórias: são os males da poluição.

O problema é mais preocupante entre pessoas com propensão a alergias. Rinites e sinusites são especialmente afetadas pela poluição do ar; nos dias de baixa umidade relativa do ar, as crises se avolumam, especialmente se há exposição a agentes alergênicos (como pó, pólen, etc.).

Além disto, a poluição do ar está associada a alterações climáticas, já que os gases se adensam na atmosfera e retêm os raios de Sol, provocando aumento da temperatura, inundações, secas, queimadas e outras catástrofes que afetam milhares de pessoas diretamente.

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Poluição e história

Viver sempre provoca impactos ambientais. Os homens aprenderam a construir casas, carroças, grandes armas de guerra. Mas até um singelo “pum” é poluente. Nada disto, no entanto, se tornou prejudicial até a chegada da industrialização e dos motores a explosão (especialmente os movidos a combustíveis fósseis, apesar de os chamados “combustíveis limpos” também impactarem negativamente a atmosfera).

Já no século XIX, pesquisadores identificaram a relação entre poluição do ar e problemas pulmonares. Com a Revolução Industrial – e o surgimento de centenas de chaminés expelindo fumaça tóxica – problemas como bronquite e asma aumentaram bastante, especialmente entre crianças. Pouco depois, em 1952, uma combinação de nevoeiro – fog, em inglês – e ar poluído, chamada de smog, foi responsável pela morte de quatro mil pessoas em Londres.

Posteriormente, descobriu-se que a fumaça dos cigarros é prejudicial não apenas ao fumante, mas a todos os circunstantes (no entanto, o alto volume de impostos recolhidos com a sua comercialização impede que eles sejam tomadas providências mais enérgicas). Com seus milhares de substâncias, muitas delas tóxicas, alto teor de radicais livres (substâncias oxidantes), sabe-se que o tabagismo está relacionado ao envelhecimento precoce e a uma série de males, como câncer (especialmente nos sistemas respiratório e digestório) e doenças cardiovasculares. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima em quatro milhões de mortes anuais diretamente decorrentes do fumo.

A água

Aprendemos na escola que a água é uma substância inodora, incolor e insípida. Esta simples combinação de hidrogênio e oxigênio é responsável pela vida como nós a conhecemos. Um ser humano, por exemplo, pode passar mais de 20 dias se sem alimentar, mas dois dias sem água são suficientes para provocar sérios danos.

Apesar de o planeta ser coberto, em três quartas partes, por água, apenas 4% são potáveis (e 0,08% estão acessíveis ao homem). A urbanização, no entanto, trouxe sérios problemas. A rede de esgoto, que deveria reter os poluentes, não permitindo que eles atinjam os rios, é insuficiente. Em São Paulo, uma das cidades mais poluídas do planeta, uma guimba de cigarro jogada do lado direito da Avenida Paulista (um dos pontos mais altos da metrópole) segue diretamente para o rio Tietê; do lado esquerdo, o destinatário de todo o lixo (embalagens, restos de alimentos, etc.) é o rio Pinheiros. Substâncias contidas em medicamentos, protetores solares, pesticidas e inseticidas também prejudicam a qualidade da água. Mesmo assim, os “fumacês” nas margens de rios, para eliminar mosquitos, são largamente empregados por órgãos de saúde.

Quase metade da população mundial vive sem as necessárias condições de saneamento. A ingestão de água suja causa esquistossomose, diarreia, hepatite, tifo, e outras doenças que matam mais de cinco milhões de pessoas a cada ano. Além disto, o lixo entope bueiros e provoca inundações, trazendo mais doenças e desalojando ou desabrigando milhares de pessoas a cada chuva mais forte.

Filme e trilha sonora

A OMS considera que o nível de conforto para os ouvidos humanos é de até 50 decibéis (num restaurante movimentado, o som pode atingir 70 decibéis). Acima disto, começam a surgir desconfortos que, no limite, podem provocar surdez. Antes deste extremo, porém, a poluição sonora responde por vários casos de insônia, cansaço, estresse, agressividade, cefaleias, desatenção e dificuldades em memorizar, queda no rendimento profissional e escolar e pode intensificar problemas como úlceras e gastrites.

As fontes da poluição sonora são construções e reformas, áreas de recreação, meios de transporte, indústrias sem proteção (os equipamentos para redução do volume na linha de produção e nas imediações da fábrica são obrigatórios por lei). Outra consequência nociva são as muitas brigas entre vizinhos, quando alguém decide ouvir sua música predileta no volume máximo.

Quanto ao “filme”, mesmo em cidades de médio porte é comum encontrar ruas abarrotadas de cartazes, outdoors, pichações, etc. especialmente nas principais vias comerciais. É o incentivo ao consumo abusivo. No entanto, este excesso de informações também é prejudicial à saúde: causa confusão mental e estresse, aumenta a irritabilidade e pode provocar problemas de visão e até acidentes de trânsito, por distração dos motoristas.

Algumas cidades brasileiras já criaram legislação para reduzir o excesso de “informação” nas ruas, determinando que as os letreiros de fachadas comerciais sejam proporcionais, proibindo a instalação de outdoors e anúncios em ônibus, para melhorar a qualidade de vida dos habitantes.

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