Como reduzir as infestações de ácaros

Os ácaros são aracnídeos minúsculos que colonizam vestuário e mobília; confira algumas dicas para reduzir as infestações.

Ácaro é o nome comum para diversas espécies de aracnídeos, a mesma classe dos escorpiões e aranhas, pertencentes à subclasse Acarina, à qual também pertencem os carrapatos.

Cerca de 50 mil já foram descritas, mas zoólogos entendem que este número é apenas uma pequena fração do total. Os maiores espécimes medem menos de um milímetro de comprimento; a maioria é invisível a olho nu, motivo por que passam despercebidos.

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No entanto, estes animais adaptaram-se para a vida nas mais diversas condições. Podem viver livremente no solo ou na água e também parasitar vegetais e animais. A maioria apresenta cefalotórax (cabeça e tronco num só conjunto), quatro pares de patas e um par modificado como quelíceras. Muitos deles têm pelos com função tátil.

Nas residências, os ácaros infestam colchões, travesseiros, tapetes, cortinas, almofadas, sofás, bichos de pelúcia e roupas de cama e têm preferência por ambientes quentes e úmidos, fatores garantidos pela transpiração durante o descanso e o sono. Eles sobrevivem alimentando-se de células mortas dos organismos, inclusive o humano. Para se ter uma ideia, um travesseiro com dois anos de uso pode ser constituído em 50% de ácaros.

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As doenças

Os ácaros são responsáveis especialmente por manifestações alérgicas: rinite, sinusite, dermatite atópica e asma alérgica, causadas por estes parasitas, afetam cerca de 20% da população. São casos raros, mas a literatura médica registra a ocorrência de choques anafiláticos após a ingestão de alimentos feitos com matéria prima contaminada (farinha de trigo, peixes, e legumes, entre outros).

Um metro quadrado de tapete pode estar infestado por mais de cem mil ácaros, o que os transforma em uma praga invisível. Além disto, as fezes destes animais e também os cadáveres decompostos formam um pó fino, que é facilmente inalado.

Entre os que parasitam a pele humana, existem os que atingem os folículos pilosos e as glândulas sebáceas, provocando acne, e também os parasitas da pele, que transmitem a sarna, ou escabiose. A deposição contínua de ovos garante a perpetuação da espécie e o contato da região infestada com outra pessoa – num abraço ou num beijo, por exemplo – pode determinar novas infestações de ácaros.

Em temperaturas abaixo dos 20°C e altitudes acima de 1.200 metros, as populações de ácaros tendem a regredir; portanto, os maiores problemas ocorrem nas regiões quentes e úmidas (umidade relativa do ar acima de 70%); assim, as faixas mais afetadas são tropicais e subtropicais, nas estações mais quentes do ano. Este é o principal motivo para a indicação de longas permanências em regiões montanhosas para tratar processos alérgicos.

Para prevenir as infestações

A prevenção é também o tratamento para os sintomas: é preciso lavar regularmente colchões, cobertores e travesseiros, de preferência com água quente, que, acima dos 60°C, reduz significativamente as colônias de parasitas. Recomenda-se a limpeza semanal com o uso de acaricidas, na medida prescrita pelo fabricante.

Sofás, cortinas e tapetes devem ser aspirados uma vez por semana; capas de almofada e tapetes devem ser lavados ao menos uma vez por mês e sofás, enchimentos de almofada e cortinas, a cada seis meses. Os ambientes devem ser arejados e preferencialmente ensolarados, para reduzir a poeira criada pelos excrementos e animais mortos.

Nos quartos das crianças, bichos de pelúcia não são bem vindos: eles acumulam milhares de ácaros, que podem afetar as vias aéreas superiores, principalmente as narinas, laringe e faringe, entre zero e 12 anos. Caso sejam importantes na decoração, é preciso optar por peças com tratamento antiácaro e antifúngico, e lavadas ao menos uma vez por semana.

Carpetes são totalmente contraindicados: além de se infestarem com facilidade, permitem que os ácaros se movam para as regiões mais adequadas para sua sobrevivência e reprodução. Os bichinhos ficam migrando para regiões com sombra ou, no inverno, para perto de janelas e sacadas.

Adicionalmente, a roupa de cama deve ser exposta ao Sol; nos dias frios, sempre que o tempo estiver seco, podem-se colocar colchões e suas capas, edredons e travesseiros em quintais e áreas de serviço: os raios ultravioleta afetam negativamente os ácaros.

Existem aparelhos para mensurar a presença de ácaros nos ambientes, que podem ser úteis para saber se as colônias estão sob controle. Apesar da propaganda, não há estudos comprobatórios de que o uso de ionizadores, purificadores de ar e ventiladores exerça qualquer efeito para reduzir a presença dos ácaros.

Portadores de asma e alergia devem evitar os travesseiros de penas, que não mais afetados pelos ácaros. Por fim, os animais de estimação devem receber banhos regulares com xampus antipulgas, que também atacam os ácaros. A frequência depende da raça do pet.

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